Fred Svendsen

Ferreira Gullar, um dos maiores críticos de arte e poetas do Brasil, foi um grande entusiasta da obra do paraibano Fred Svendsen. Gullar não apenas escreveu textos de apresentação para os catálogos do artista, mas também o ajudou a projetar sua carreira no eixo Rio-São Paulo.
O pensamento de Gullar sobre Svendsen gira em torno de três conceitos principais: metamorfose, invenção e a fronteira entre o real e o imaginário.
Aqui estão as principais definições e falas de Gullar sobre o artista:
1. A Invenção de "Novos Seres"
Gullar descreveu o trabalho de Fred como um processo quase acidental de criação de vida. Para o crítico, o artista não apenas desenha, mas "inventa" uma nova fauna:
"Fred Svendsen nos faz viver a experiência de uma metamorfose, quando o traço, a linha, a mancha, tornam-se, quase acidentalmente, matéria da invenção de novos e inusitados seres."
2. O Equilíbrio entre Abstração e Figura
Gullar notou que Svendsen habita um espaço perigoso e fascinante entre o figurativo e o abstrato. Em suas críticas, ele destacou como o artista consegue fazer com que formas abstratas, ao se chocarem na tela, acabem por sugerir figuras que parecem vir do "interior da alma" ou de "paisagens futuristas".
3. Textos e Curadoria
A chancela de Gullar foi fundamental em momentos-chave:
Livro "P&B": Gullar assinou a apresentação deste livro de Fred Svendsen, reforçando a força do desenho e do contraste no trabalho do artista.
Exposição na Galeria Patrícia Costa (Rio de Janeiro, 2008): Gullar apresentou Fred ao público carioca, consolidando-o como "um dos mais importantes artistas plásticos do Brasil".
Livro "Fred Svendsen - Desenhos": Gullar escreveu um texto crítico extenso (em uma obra de 88 páginas) analisando a artesania e a técnica do artista.
Resumo do Olhar de Gullar
Para Ferreira Gullar, Fred Svendsen era um "inventor". Ele via na obra do paraibano uma fuga do óbvio; enquanto muitos artistas se prendiam a retratar o mundo como ele é, Gullar celebrava o fato de Fred usar a pintura para denunciar e para criar uma realidade paralela, cheia de "seres inusitados" que só existem através de sua mão.
Essa relação era de profundo respeito mútuo, e Fred frequentemente cita Gullar como a voz que melhor traduziu o "espanto" que sua arte causa nos desavisados.
1. Sobre a densidade e o universo do artista
Emí Garcia frequentemente situa Fred em um grupo de artistas que possuem um "universo denso", contrastando sua obra com o monumentalismo ou o lúdico de outros contemporâneos.
"Entrar no mundo denso de um Fred Svendsen [...] é conhecer as experimentações formais, culminância de um processo de metamorfose empírica."
2. Sobre a exposição "Arquétipos da Ausência" (2021)
Nesta curadoria, Emí Garcia reflete sobre como a obra de Fred lida com o vazio e a memória, especialmente no contexto de isolamento:
"A proposta dessa mostra [...] era a de que cada artista participasse com obras que explorassem a ideia do arquétipo. Fred Svendsen traz uma carga onde a pintura e o desenho não ocupam apenas o espaço, mas interrogam a ausência."
3. Sobre a técnica e a "Escrita Visual"
Em apresentações de catálogos, Emí Garcia define o traço de Fred como uma linguagem quase gramatical:
"O trabalho de Fred Svendsen não se explica pela representação, mas pela construção de uma escrita visual própria. Cada linha é um signo que parece resgatado de uma arqueologia pessoal, onde a matéria se organiza para dar forma ao invisível."
4. O Conceito de Metamorfose
Emí reforça a ideia de que o trabalho de Fred é um organismo vivo:
"Não há estaticidade na obra de Fred. Suas formas estão sempre em processo de 'vir a ser', uma metamorfose contínua onde o geométrico se torna orgânico e o orgânico se torna totem."
"Não é atoa que até o grande literato e crítico Ferreira Gullar faz honrosas e justas menções ás obras de Fred Svendsen, a solidão interposta de forma abstrata nos atalhos de nossa imaginação Já procura um "sentido" ao que vemos, porém em primeira análise os personagens estão com uma expressão neutra, de forma a esconder a situação emocional, da mesma forma muitas vezes socialmente aparentamos estar bem porém por dentro estamos imersos na solidão, por mais que estejamos cercados por outras pessoas, a solidão é um estado de espírito e não uma situação ligada diretamente a estar sozinho fisicamente, mais uma vez Fred consegue capturar de forma fantástica um verdadeiro "Retrato Da Alma", apreciar uma obra de Fred é como ouvir um bom Jazz, uma Bossa Nova ou um filme de Woody Allen, só compreende quem se permite adentrar profundamente nesse universo de inexplicáveis e prazerosos sentimentos. "
Emí Garcia - Curador e Promotor de arte
