Demétrius Montenegro

Demétrius Montenegro é natural do município de Nova Cruz, que fica na região do agreste Potiguar, limítrofe com a Paraíba, zona de transição entre o litoral e o sertão.
Sempre gostou de estórias tanto do folclore regional quanto das mais diversas epopeias da literatura mundial.
Com cores impactantes e
temas originais Demétrius traz em seu DNA artístico variadas fontes, desde os cenários populares, integrando os elementos, festejos, tradições e iconografia do povo nordestino até vívidas caricaturas provindas da sua psiquê, traçando as tramas presentes em sua imaginação.
Em uma espécie de realismo mágico ele é inspirado e dialoga com a literatura de Gabriel Garcia Márquez, passando por obras da literatura Russa, obras Machadianas, Jorge Amado, assim como estilos musicais como a MPB, Bossa Nova e o Samba.
A primeira vez que fui ao ateliê de Demétrius, quando ainda era no Bessa, me senti adentrando ao refúgio de um feiticeiro, no modo positivo da palavra é claro, cuja varinha era o pincel e as poções eram as tintas. Mas era um feiticeiro atípico, pois em sua trilha sonora ressoava a voz de Caetano Veloso, Belchior, Vinícius De Moraes, entre outros, e seus traços, se davam em uma varanda bem arejada, pertinho de uma rede sempre disposta a acolher, o'que logo me recordou o ateliê do nosso querido mestre Hermano José, Diante disso quero lembrar-lhes que arte é sim, pura magia, não se subjuga ao reino da razão, pois diante de qualquer tentativa de aprisionar a arte às algemas racionais, burocráticas, toda sua essência se esvai. O encanto, está no olhar sensível de quem a observa, e ao meu olhar, a arte de Demetrius Montenegro, embora dê prioridade às iconografias e sinônimos da cultura Nordestina e da literatura nacional, ainda assim é cosmopolita, dialoga com diferentes simbologias, possui fortes características, como o expressivo uso das cores em contraste, os contornos bem resolvidos, e uma perspectiva lúdica dos cenários em que navega. Cada obra de Demétrius é uma espécie de portal conjurado, que nos transporta para um mundo próprio que não tem a necessidade de se correlacionar diretamente com a obra seguinte, mas que carrega por si só uma quântica misteriosa, por fim, Demétrius é uma espécie de contador de estórias, com “e” mesmo, que usa seus feitiços imagéticos para nos apresentar sua maneira límbica de experienciar o mundo.
Emí Garcia - Curador e Promotor De Arte
