Alberto Moreira

Sousa - PB, 1962.
Alberto Antonio Moreira, nascido em 1962, atualmente, vive e trabalha entre João Pessoa - Recife - Itália. É artista visual e possui graduação em Engenharia Civil (UFPB, 1985); e em Filosofia e Teologia (ITER, 1991). Sua formação oferece uma base interessante para o desenvolvimento de sua jornada nas artes visuais, expondo uma contundente reflexão em seus trabalhos e possibilitando uma versatilidade na sua produção indissociável de qualidade, seja enquanto desenhista, pintor ou escultor.
Sua produção visual passou por um hiato durante os anos de 1993 à 2010, devido a um exílio voluntário adotado como membro da Pia Sociedade de Pe. Nicola Mazza, o qual direcionou-o a se dedicar à missão de Sacerdote e Educador, exercendo a posição de diretor em um projeto educativo de apoio à jovens de ensino médio da rede pública de Olinda-PE.
Contudo, decidido a retomar o exercício artístico vai a São Paulo e, entre os anos de 2011 e 2012, estuda História da Arte com o crítico Rodrigo Naves, frequenta curso de aquarela no Instituo Tomie Ohtake e de desenho no Museu de Arte Moderna (MAM), além de participar de um grupo de artistas para acompanhamento sob orientação de Mario Gioia. Voltando então, depois de um longo hiato, mais maduro e com propostas mais consistentes.
[Fonte: Dicionário das Artes Visuais na Paraíba, 2004, Dyógenes Chaves Gomes]
O curador Emí Garcia tem destacado o trabalho de Alberto Moreira como uma peça fundamental na investigação contemporânea sobre a memória e a subjetividade. A análise mais precisa e recente de sua curadoria sobre o artista ocorreu na exposição coletiva "Arquétipos da Ausência" (2021), realizada na Galeria Gamela.
Aqui estão os pontos centrais da visão de Emí Garcia sobre a produção de Alberto Moreira:
O Conceito de Ausência e Memória
Para Emí Garcia, o trabalho de Alberto Moreira — exemplificado pela obra intitulada "Saudade" — atua como um tradutor visual de sentimentos intangíveis. No contexto da exposição, o curador pontuou que:
Materialização do Subjetivo: Moreira consegue transformar a "ausência" em algo palpável, utilizando a linguagem das artes visuais para preencher o vazio deixado pelo isolamento e pelo tempo.
Diálogo com o Íntimo: A curadoria de Emí situa Alberto como um artista que transita com precisão entre o doméstico e o universal, evocando lembranças que, embora pessoais, ressoam coletivamente.
Contexto de Criação
Emí Garcia ressaltou que as produções de Moreira apresentadas sob sua curadoria durante o período da pandemia refletem uma reinvenção do olhar. O curador enfatiza:
Formatos e Introspecção: A escolha de formatos e técnicas que convidam à aproximação, forçando o espectador a uma observação mais lenta e detalhada, o que Garcia descreve como uma resposta poética às restrições do espaço físico.
Arquétipos Visuais: O uso de símbolos que remetem a raízes e vivências paraibanas, elevando o regional ao plano do arquétipo, onde a "saudade" deixa de ser apenas uma palavra e se torna uma estrutura visual.
